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Futsal: Pipa e a missão de formar atletas para o Sport

Dedicando-se ao futsal há mais de 20 anos, o treinador sonha em ver seus jogadores dando retorno ao Clube

“A paixão que eu tenho é trabalhar com categorias de base”, contou o treinador em entrevista ao Site Oficial do Sport. (Foto: Anderson Freire/Sport Club do Recife)
Por Carolina Fonsêca

 

Identificação com o trabalho que desempenha. Isso é o que melhor define o técnico de futsal Felipe Portela, 42 anos. O apelido Pipa, dado pelo pai quando ele ainda era criança, acabou por defini-lo e destacá-lo quando o assunto é formação de atletas. Treinador da modalidade há 22 anos, ele trabalhou com Hernanes, hoje jogador de futebol com passagem pela Seleção Brasileira. Treinou jogadores de futsal que estão na Europa, na Liga Brasileira e diariamente se realiza nas categorias de base do futsal do Sport, onde está há sete anos. Poucas pessoas se identificam tanto com a missão de formar atletas quanto ele.

O uniforme está sempre completo e o crachá só sai do peito quando acaba o expediente. Ele até tem fama de “linha dura”, mas a disciplina é o grande diferencial de Pipa, também muito querido pela criançada que treina com ele e por quem já passou pelo seu comando. “Me apaixonei pelo Sport como treinador porque o Clube tem o intuito de se preocupar com os profissionais. Quando vim trabalhar aqui, notei que o pensamento de Felipe Luna, na época nosso diretor, era de melhorar a estrutura do Clube e se preocupar com a gente como profissional. Procuro sempre estar correto, com meu fardamento, crachá e horários. Procuro ser o melhor profissional em termos de técnica, resultados, aprendizado…para que, em nenhum momento, o Sport cogite me tirar”, disse.

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O trabalho de Pipa começa com as crianças a partir dos seis anos. Recebe o atleta como se fosse uma folha em branco, molda e acompanha até a fase de transição para o campo. Atualmente, ele coordena um processo de transição em parceria com o Departamento de Futebol de Base do Sport. “Já me pediram para assumir categorias mais velhas, mas não tenho interesse. Quando a gente trabalha com os pequenininhos, eles são inocentes, não tem manias, vícios de outro treinador – de não levantar a cabeça durante a jogada ou dar passe errado, por exemplo. Eu recebo um atleta com seis anos de idade e posso ensinar a ele da melhor forma. Como eu sou perfeccionista nos meus trabalhos técnicos e táticos, meus atletas chegam aos nove anos preparados para tudo”, conta com orgulho.

Pipa também se dedica ao processo de transição de atletas da quadra para o campo, em parceria com o Departamento de Futebol de Base do Leão. (Foto: Anderson Freire/Sport Club do Recife)

Desenvolver jogadores é, também, uma via de mão dupla. “Há um retorno muito grande das crianças, o reconhecimento é bem maior. Quando termina o último ano de uma turma, eu sinto muito. Trabalho com eles até os nove anos e conheço todos dos pés à cabeça. O emocional, a parte técnica, o raciocínio… É o que me deixa feliz de trabalhar, ver esse desenvolvimento. Tenho atletas que jogam na Liga Futsal, na Europa, no futebol de campo e eles reconhecem e respeitam o treinador de formação. Pra mim isso é uma maravilha. A paixão que eu tenho é trabalhar com categorias de base”, conta entre um treino e outro no Ginásio Jorge Maia.

A disciplina e o perfeccionismo de Pipa refletem na quantidade de títulos que conquista com suas equipes de base. Das competições menores eles já perdeu as contas de quantas conquistou, nos torneios regionais são cerca de 30 troféus e os campeonatos nacionais e internacionais somam 15 conquistas. “Minha preocupação é formar atletas para o Clube. Vou para as competições fazendo com que meus atletas joguem tendo raciocínio lógico, qualidade técnica e tática. Os títulos são consequência”, explicou o treinador que já conquistou duas Supercopas América pelo Sport, em 2015 e 2017, com as equipes Sub-9 e Sub-11, respectivamente.

Funcionário do Sport há sete anos, Pipa sonha em ver seus atletas dando retorno ao Clube. (Foto: Anderson Freire/Sport Club do Recife)

Trabalhar com futuros jogadores é pensar todos os dias no amanhã. Para Pipa, isso significa ver seus atletas dando retorno ao Sport. “Só vou ficar tranquilo e muito mais feliz do que sou hoje quando eu ver meus atletas no profissional, ajudando o Clube e dando retorno. Seja sendo vendido e gerando renda ou jogando no profissional. Quando eu puder vir para um jogo aqui na Ilha, assistir um atleta que começou comigo, jogando pelo Sport, representando a camisa, vai ser minha realização. Aí eu vou ficar satisfeito e posso me aposentar”, revelou.

CURIOSIDADE

O porquê do apelido “Pipa” ter sido escolhido pelo seu pai, Regisvaldo Portela, ele não sabe contar. Lembra, inclusive, que não gostava muito de ser chamado dessa forma e fora de casa era sempre Felipe. Até que, no início da carreira de treinador, montou sua primeira escolinha de futsal e pegou o apelido como ideia para nome e marca da empresa.

“O nome era P.I.P.A Futsal: Preparação Inicial Para o Atleta. Uni o útil ao agradável. Mas dois sobrinhos meus foram treinar na minha escolinha e me chamavam de Pipa. Aí o apelido se espalhou. Mas hoje eu trabalho para o Sport e meu nome é Sport Club do Recife”, contou.

TV SPORT

Unindo forças do campo e da quadra, o Sport começou a trabalhar mais cedo a transição quadra-campo das categorias de base. Durante alguns anos, a passagem da quadra para o campo começava apenas na categoria Sub-13, mas uma mudança nesse processo vem para somar. A TV Sport acompanhou como funciona esse processo, que tem importante participação do técnico Pipa e outros profissionais rubro-negros. Confira:

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