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Especial: Há 10 anos o Brasil se rendeu ao Sport

Foi em 11 de junho de 2008 que o Leão levantou a taça da Copa do Brasil, na Ilha do Retiro

Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Nem parece que se passaram dez anos.

– Os três gols de Romerito contra o Palmeiras;

– O pênalti cobrado com perfeição pelo goleiro Magrão ante o Vasco;

– A falta certeira e violenta de Durval que fez a Ilha pulsar contra o Internacional;

– O gol de Enílton que calou os corintianos no Morumbi;

– A profecia de Carlinhos Bala na saída de campo;

–  O gol chorado de Luciano Henrique na decisão;

– O capitão Durval levantando a taça;

Tantos momentos marcantes e ainda tão vivos na cabeça dos rubro-negros que mais parece que foram ontem. Só que nesta segunda-feira, 11 de junho, o Sport Club do Recife comemora os dez anos da conquista da Copa do Brasil de 2008. Para marcar essa data, o site oficial do Clube traz reportagens especiais, vídeos e fotos sobre a campanha vitoriosa.

 

O PAREDÃO

O maior ídolo da história do Sport também teve papel importantíssimo na conquista da Copa do Brasil. Seguro, o Paredão esteve em todas as partidas da competição e, nas semifinais, na disputa por pênaltis contra o Vasco, ele também realizou uma cobrança. E converteu, claro! Nome guardado com carinho na memória do torcedor, Magrão relembra pontos importantes da trajetória do Leão no torneio e revela que ainda guarda itens da conquista em sua casa, mantendo viva a lembrança do título.

(Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife)

“É sempre bom trazer boas lembranças. Lembrar as coisas legais que aconteceram. Com certeza, da maneira que foi a nossa trajetória durante a competição, foi algo que ficou marcado na história do Clube e na vida dos jogadores que participaram dessa conquista. Contra o Internacional, saímos perdendo por 1×0 e conseguimos virar. Foi um jogo que deu uma esperança muito grande de que era possível conquistar o título. Tenho viva a lembrança. É sempre bom lembrar coisas boas”, disse o camisa 1.

“A Copa do Brasil é um título muito especial que eu tenho. Na minha casa tem faixas e tudo que envolve esse título de 2008. Vejo ali que nós conseguimos uma conquista muito grande para o Clube. Dez anos se passaram, mas parece que foi ontem”, completou o arqueiro leonino, que revelou que treinava pênaltis, sendo um dos atletas com melhor aproveitamento. Mas não esperava que chegasse sua vez de cobrar.

“Nos treinos eu batia pênaltis, treinava… E dentre os jogadores eu era considerado um dos cinco melhores batedores. Tinha um aproveitamento muito bom. E no jogo contra o Vasco, antes mesmo da partida, o professor Nelsinho (Baptista) já tinha falado comigo que eu seria um dos batedores. Mas como fizemos 2×0 na Ilha, não imagina que seria necessário. Mal sabia que eu que iria acontecer (risos). Quando chegou o momento eu estava confiante, mas com um nervosismo e uma ansiedade muito grande. Foi a primeira e única vez que bati, mas, graças a Deus, pude converter a cobrança. Não só eu, mas todos aproveitaram”, completou.

(Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife)

Confiante na campanha do Sport durante a Copa do Brasil, Magrão passou por um momento de insegurança apenas em uma partida, que foi a primeira da final, contra o Corinthians. Mas o gol de Enilton deu tranquilidade para o goleiro, pois ele sabia da força que o time rubro-negro tinha – e tem – na Ilha do Retiro. “Fiquei um pouco preocupado quando estava 3×0 para o Corinthians no primeiro jogo da final. Quando eles fizeram o terceiro gol bateu uma preocupação, mas, depois daquele gol (de Enilton), já era. Fiquei aliviado e com certeza foi o gol do título. Nós sabíamos da força do nosso time e da nossa torcida dentro de casa. Você se sente realizado profissionalmente e vê a alegria do torcedor, se explodindo de felicidade. Isso é algo que não tem preço”

Para finalizar, Magrão descreve 2008 como o melhor ano que viveu no Sport Club do Recife, clube em que ele se tornou uma referência para atletas e torcedores. “Foi um ano maravilhoso porque fomos campeões pernambucanos, tivemos uma campanha regular no Brasileiro e na Copa do Brasil foi o ápice. Foi a grande conquista da temporada. 2008 foi o melhor ano que eu tive aqui no Sport”, encerrou.

O CAPITÃO

(Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife)

O capitão. O homem que levantou a taça. Durval dificilmente está sorrindo, mas, desta vez, o zagueiro rubro-negro não pôde conter a alegria ao soltar o grito de campeão do Brasil. O xerife dessa conquista liderou os demais atletas dentro das quatro linhas e era o pesadelo dos atacantes adversários. Mas quando a equipe leonina precisou do seu capitão para balançar as redes, ele estava lá para marcar, de falta, o gol que colocaria o Sport nas semifinais do torneio. Ele relembra o momento, revelando a confiança que o fez pegar a bola e a sua reação após o gol.

“Difícil de esquecer o jogo contra o Internacional. Não foi só pelo gol que eu fiz, a gente conseguiu reverter um placar e conseguiu a classificação. Foi coisa de destino. Eu não batia falta, mas naquela partida estava confiante, ao lado dos meus companheiros. Aquele momento era Carlinhos [Bala] o batedor e eu pedi para bater e ele não fez confusão. Felizmente pude bater e fazer o gol. Peguei bem na bola, bati forte… Tive quase certeza que ia ser gol. Quando saiu, eu não sabia o que fazer… Não sabia se saía correndo, se comemorava com meus amigos”, disse o camisa 4.

Sobre a competição, Durval, com suas poucas palavras, resume o ambiente entre os jogadores e seu sentimento com um dos títulos mais importantes para história do Leão da Praça da Bandeira. “Um sonho realizado”, conta o capitão.

“Foi um sonho realizado, pela nossa trajetória, pelas dificuldades que passamos. Foi para lavar a alma, coroar o trabalho. A conquista foi merecida e pude levantar a taça. Tanto dentro de campo como fora nossa equipe se dava muito bem. A gente fazia churrasco também e isso fortalecia a amizade”, pontuou.

Sobre a torcida rubro-negra, Durval não poderia ter uma definição melhor. “Quando os adversários subiam na Ilha do Retiro eles já começavam perdendo por 1×0 por causa da nossa torcida”, destacou.

 

MEMÓRIAS DE QUEM VIVENCIOU O TÍTULO DAS ARQUIBANCADAS

Cada jogo era uma final. Passo a passo, o Sport caminhou carregado por uma multidão que fazia da Ilha do Retiro o maior amuleto de cada rubro-negro, fosse ele jogador ou torcedor. É facilmente uma das lembranças mais marcantes entre quem viveu a Copa do Brasil de 2008. A confiança crescia sem alardes, mas a cada classificação era possível acreditar um pouco mais que o título viria. “Muita ansiedade até chegar ‘O’ dia”, conta o rubro-negro Brenno Miro, 30 anos, bancário. “A ficha só caiu no finzinho do segundo jogo da final”, disse Érika Pinho, 29, bióloga e torcedora do Leão.

Quando chegou 11 de junho, a caminhada histórica teve o melhor dos desfechos: Sport Campeão da Copa do Brasil. Mas o torcedor leonino, guarda momentos de cada passo dado até o fim.

A nação rubro-negra fazia da Ilha do Retiro um alçapão. “A impressão que tínhamos era que poderíamos ganhar de qualquer time na Ilha”, lembra Brenno (Foto: Acervo Pessoal)

“O que mais lembro é primeiramente da confiança que tomou conta da torcida logo quando fomos ganhando os primeiros jogos. A impressão que tínhamos era que poderíamos ganhar de qualquer time na Ilha, não havia medo e nem receio, a confiança no técnico, no elenco e em nós, torcedores, era total. Sabíamos que iríamos fazer a diferença. Lembro também do clima inigualável dos jogos na Ilha, tanto que até hoje (e acredito que pelas próximas gerações) quando o clima do jogo está bom na Ilha, alguém sempre diz: ‘parecia igual a copa do Brasil’”, lembrou Brenno.

Falar de 2008 arrepia qualquer um que teve a chance de viver aqueles momentos. Rendeu memórias que dificilmente cairão no esquecimento. “Os jogos em casa, com certeza, são as lembranças mais marcantes. A Ilha lotada, inflamada, colorida, pulsante, vibrante. O jogo contra o Palmeiras marcou muito, mas o gol de Durval contra o Internacional levou meu pai às lágrimas, cena que não vou me esquecer nunca!”, contou Érika.

Quase que de uma forma mística, os sinais de que o imortal escudo ganharia mais uma estrela apareciam. “Acho que depois da vitória por 3 a 2 contra o Internacional na Ilha, onde viramos o jogo com um jogador a menos, em um golaço de falta de Durval, não existia mais um rubro-negro que não tivesse certeza que o título seria nosso”, afirmou Brenno.

Os ingressos dos jogos também são lembranças guardadas pelos rubro-negros (Foto: Acervo Pessoal)

O dia 11

Para quem tinha vivido uma eternidade em quatro meses, no dia da final a hora parecia não passar. “O dia da final foi ansiedade pura. Tentei manter a rotina normalmente, mas foi impossível. Cheguei na Ilha com meu pai às 17h e ficamos na fila para entrar nas cadeiras. Aproximadamente às 18h30 já estávamos dentro do estádio e a ansiedade só crescia. Até o horário do jogo foi uma tortura, mas um sentimento bom só crescia dentro de mim. O jogo começou e os dois gols fizeram meu coração explodir de felicidade, poucas vezes senti coisa parecida. Amiga desmaiando entre o 1º e o 2º gol, meu pai cantando para o Sport como nunca vi cantar, e o coração saindo do peito. O apito final veio e a alegria transbordou em forma de lágrimas. Nunca vou me esquecer de nenhum detalhe daquele dia!”, narrou Érika.

“Poucas vezes senti coisa parecida. Amiga desmaiando entre o 1º e o 2º gol, meu pai cantando para o Sport como nunca vi cantar, e o coração saindo do peito. Nunca vou me esquecer de nenhum detalhe daquele dia”, lembrou Érika (Foto: Acervo Pessoal)

“Eu respirava aquele jogo e cheguei na ilha, igual a vários outros torcedores ainda no início da tarde. Foi chegando a noite e muita fila para entrar na Ilha lotada! Jogo nervoso, os apitos inesquecíveis e falta de oportunidade de gol foi deixando o clima mais tenso, até os gols saírem em sequência e nós vermos a realidade ali em nossa frente. Depois de tudo ter parecido perdido quando o Corinthians chegou aos 3×0 em SP, o sonho tinha virado realidade! Depois dos dois gols do Sport foi mais apito, mais nervosismo e mais espera até ganharmos mais um título nacional, contra tudo e contra todos. O Sport pode ganhar títulos mais importantes, mas nenhum será igual a Copa do Brasil 2008”, acrescentou Brenno.

 

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