29 de novembro de 1935.
Como é a sensação de finalmente adquirir sua própria casa? De ter finalmente um reduto para chamar de seu a plenos pulmões? A dificuldade que existe atualmente em conquistar esse objetivo faz do mesmo um dos mais almejados por todos. Não é fácil. Pode demorar muito tempo até que seja alcançado. No caso do Leão, demorou mais de trinta anos.
A data acima simboliza uma das maiores representações de garra da história centenária do Sport Club do Recife. É a data da compra do terreno onde hoje está situado o estádio Adelmar da Costa Carvalho (nome dado em homenagem ao presidente do Sport, que ajudou na construção/reforma), a Ilha do Retiro.
Um dos maiores cartões postais do Recife, marco no futebol brasileiro e orgulho de todos os rubro-negros, também de vários apelidos, mas nenhum soa tão bem quanto o mais simples: casa.
O nome "Ilha do Retiro" adveio porque na época havia uma Ilha no local, numa região de mangue.
Por 53 contos de réis o terreno foi adquirido, em virtude também de os fundadores jogarem suas "peladas" no mesmo local, e debaterem sobre futebol embaixo do famoso sapotizeiro. O sentimento de casa daquele local para com os rubro-negros veio antes das edificações. A primeira, por sinal, ficou pronta em 15 de agosto de 1936, uma quadra de basquete que hoje nem existe mais.

Um verdadeiro mutirão foi organizado entre os torcedores e os dirigentes da época com sacos de cimento e mão de obra para o aterramento do local, que sofria com as enchentes. Em quatro de julho de 1937 a Ilha foi finalmente inaugurada, e o Leão estreou em casa com uma vitória de 6 x 5 contra o Santa Cruz. O Sport, enfim, deixava de dividir o campo da Avenida Malaquias com o América-PE, no bairro das graças (onde hoje é a AABB) e ia para seu próprio reduto.
A partir daí o histórico de conquistas da Ilha fala por si só: ampliações, reformas e recebimento, em 1950, do jogo de Copa do Mundo entre Chile e Estados Unidos. A tradição de nossa casa é protagonista.
Só quem vê a Ilha como sua casa sabe a sensação que é subir aqueles degraus rumo à arquibancada ou a qualquer outro setor do estádio. Começar a ver o gramado aos poucos, e depois se sentir pequeno frente a imensidão do estádio. Pequeno, mas parte fundamental. Não existe estádio mais ligado com sua torcida do que a Ilha do Retiro. O suor, determinação e comprometimento de muitos estão ali. De todos nós.
A história de nossa casa é tão gloriosa quanto à do próprio Leão. São poucos que podem dizer isso.
