“Se me derem o que eu pedir, darei o título”
As comemorações para o aniversário de cinquenta anos do Sport começaram a ser organizadas dois anos antes, em 1953. O ambiente no clube era bom, em virtude da ótima fase vivida nos anos anteriores. Por isso era óbvia a intenção de organizar uma grande festa para a comemoração de meio século de existência. A Ilha do Retiro, inclusive, ficou em reforma todo o ano de 1953, apenas reabrindo em abril do ano seguinte. Tudo tinha que estar a altura da ocasião. Com o elenco e comissão técnica não poderia ser diferente.

A começar por Gentil Cardoso, treinador vitorioso e respeitadíssimo Brasil afora, e que falou a frase que dá início a esta matéria, mais acima. Com Gentil como treinador e Adelmar da Costa Carvalho como presidente, o Sport formou um verdadeiro esquadrão para a disputa do estadual. O presidente do Sport disponibilizou suas finanças pessoais para formar um time fortíssimo e vencer o campeonato do aniversário.
O time foi vencendo jogo atrás de jogo, e dominou o primeiro turno da competição, tendo tropeçado apenas duas vezes neste período, com um empate e uma derrota. De resto, só vitórias na primeira metade da disputa e conquista do primeiro turno assegurada. Mesmo repetindo uma campanha satisfatória, o Leão não venceu o turno seguinte, e a decisão do campeonato foi para uma disputa de três jogos contra o Clube Náutico Capibaribe.
Nos dois primeiros jogos, vitória do Sport por 2 x 0 e um empate sem gols. A terceira e decisiva partida seria no estádio do adversário, em oito de junho de 1956. Uma partida para entrar para os anais da história do campeonato pernambucano. Jogo épico, com o Sport tendo ficado atrás no marcador por duas vezes, e conseguindo igualar em seguida. 2 x 2. Depois do empate do Leão os minutos finais do jogo foram eletrizantes, com o adversário buscando um gol para forçar um quarto jogo, e o Sport buscando manter o resultado para sagrar-se campeão.
Eis que, aos quarenta minutos da segunda etapa, o gaúcho Naninho marcou um golaço para o Leão. A emoção foi tão grande que o jogo nem teve mais como prosseguir.

FOTO TIME CINQUENTENÁRIO – Reprodução: Livro “Retrospectiva”, de Carlos Celso
A festa tomou conta do Recife, e Gentil Cardoso cumprira aquilo que havia prometido. O Leão, agora cinquentão, tinha fôlego para muito mais.
Ainda bem.